Filipe Albuquerque

Detroit

🇺🇸

11 – 12 Junho

Raceway at Belle Isle Park

IMSA Weathertech Sportscar Championship

Wayne Taylor Racing

3 º Lugar

Fomos para Detroit com pouca expectativa porque é uma pista que é muito sinuosa, não nos favorece tanto por causa dos ressaltos e tem poucas curvas rápidas. Para além de não se comportar bem nos ressaltos, o nosso carro tem mais aerodinâmica e adapta-se melhor a curvas de alta velocidade e pistas mais lineares (smooth). Detroit é também a casa da Cadillac, há muita atenção e muito envolvimento do grupo GM nesta corrida, os holofotes não estavam virados para nós. Estávamos conscientes disso e fomos para Detroit com a vontade de fazer o melhor com o que tínhamos, tentar ganhar, mas não ficaríamos chateados se isso não acontecesse.

Começámos os treinos livres bem, com o Ricky Taylor a andar bastante bem, embora estivéssemos todos próximos, fiz a segunda parte da sessão que foi mais complicada por causa de uma bandeira vermelha, não andei tanto quanto gostaria, faz parte em circuitos citadinos. Na segunda sessão de  treinos, estávamos mais motivados por causa do andamento do primeiro treino mas as coisas começaram a complicar-se. Acabámos em quinto e fomos apenas o melhor Acura em pista, era uma posição que não nos levaria muito longe.

Nesta corrida foi o Ricky a qualificar, fez um bom esforço e ficou apenas a dois décimos e meio da pole position. Foi muito bom, mas ainda assim foi 5.º. Apenas fomos os melhores Acura mas é um resultado ingrato porque quando estamos tão próximos da pole num circuito citadino. O andamento era bom mas ficar apenas em 5.º sabe a pouco.

Fomos para a corrida com a perfeita noção que era difícil ultrapassar e sabíamos que arrancar de 5.º não era a melhor posição. Arriscámos e fizemos algumas alterações no carro, o Ricky estava com dificuldade em gerar temperatura nos pneus e não estava nada confiante. Estando de fora, comecei a pensar nas modificações que fizemos e a fazer contas à vida por termos arriscado tanto mas, uma vez que a corrida começa, temos de acabar com o que temos. Cinco ou seis voltas depois, o Ricky começou a ter um andamento  muito bom, a ser um dos mais rápidos em pista e  começámos a entrar  na luta pelo terceiro lugar. A equipa fez uma estratégia muito boa e quando entrei para a pista, em 3.º, passámos um Cadillac e um Mazda que era o nosso rival directo, aconteceu tudo no pit  stop.

Senti-me logo bem no carro, o Mazda aproximou-se mas estava controlado. Quando comecei a ganhar distância, senti que estava algo estranho no carro. Disse no rádio que algo não estava bem e esperei pela curva seguinte mas comecei a sentir falta de potência. Pedi à equipa que analisasse o comportamento do carro e, outra curva mais tarde, antes de me explicarem a situação, confirmei a 100% o meu feeling porque o carro não saía rápido das curvas, não tínhamos potência à saída das curvas. A equipa confirmou o nosso problema e não havia nada a fazer a não ser aguentar a terceira posição durante o resto do meu turno – e ainda faltava cerca de meia hora até ao fim da corrida.

Era importante ficar à frente do Mazda que estava rápido e colado à minha traseira. Ainda por cima, com o Oliver Jarvis, piloto que conheço bem e que é muito bom, eu sabia que ia ser passado ao mínimo erro. Tive que andar no meu limite, principalmente a gerir muito bem o trânsito.

Estava a conseguir aguentar a minha posição mas, a 12 minutos do fim, apareceu uma bandeira amarela. Se não houvesse repartida, estava tudo bem mas, à boa maneira dos EUA, repartimos a uma volta do fim. O meu receio era exatamente a repartida porque não tinha a mesma capacidade de resposta de arranque do que os outros. Decidi concentrar-me na minha posição porque sabia que era impossível atacar os dois primeiros e consegui fazer uma boa repartida, apesar do Oliver Jarvis quase ter passado na entrada para a curva 1. Depois dessa curva não apanhei mais trânsito e continuei de novo a gerir qualquer possível erro até ao fim.

Acabámos em terceiro, à frente do Mazda, fomos ao pódio numa pista difícil para nós e numa corrida ainda mais difícil por causa dos nossos problemas no motor. Tanto eu como toda a equipa ficámos super felizes porque soubemos que tirámos o máximo do que tínhamos. Estas alturas são consideradas vitórias, apesar de não ganharmos.

Saímos de Detroit muito felizes e, no dia seguinte, fui com a equipa passar um dia em Cedar Point, num parque temático cheio de montanhas-russas. Era o meu aniversário e foi um bom team building entre engenheiros e pilotos, é importante passar tempo fora das pistas, a rirmo-nos muito.

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